A chegada de uma nova geração do Audi A5 Sportback motivou um comparativo com dois concorrentes diretos.  O primeiro é o óbvio BMW 420d Coupé, com um formato de carroçaria e motorização idênticas, o segundo é um modelo que tem sabido conquistar o seu espaço, o Lexus IS300h, um híbrido que pretende ser melhor que os Diesel e cujo potencial é, nesta fase, mais elevado que o dos motores a gasóleo. Quem vencerá a contenda?

Este comparativo tem várias nuances que podem ser exploradas. Serão as carroçarias de cinco portas com formato coupé uma boa forma de transportar a família? Ou, se olharmos para os modelos e motorizações em confronto, podemos ainda tirar ilações se um híbrido, no caso o novo Lexus IS300h, consegue levar de vencida a batalha contra dois modelos de renome equipados com dois dos Diesel mais apetecíveis para o mercado português. São eles o novo Audi A5 Sportback equipado com o motor 2.0 TDI de 190 cv e o BMW 420d Gran Coupé, com motor 2 litros também com 190 cv. Parecem, à partida, argumentos demasiado bons para dar qualquer hipótese de resposta ao Lexus, mas ao longo dos dias, e deste texto, percebemos melhor as qualidades e os defeitos de cada um. Para que o fator preço não fosse decisivo, especificamos os três modelos de modo a obter preços finais semelhantes, sendo o Lexus sempre mais barato. Na prática, estabelecemos o limite de 63 mil euros (o Lexus fica nos 58 mil) e fomos ver o que podíamos escolher para cada um modelo.

O que comprar?

Com este dinheiro foi possível ter jantes de 18’’, alguns sistemas de ajuda à condução, A/C automático, bancos desportivos e ainda outro equipamento. Nos três casos, é possível ter suspensões mais firmes, ainda que no Audi seja um opcional. No modelo de Ingolstadt, o condutor pode optar entre um pisar mais confortável ou um comportamento mais desportivo. Além de quatro posições definidas tem um quinto modo (Individual), quer permite escolher a combinação preferida de regulações do amortecimento, assistência da direção, controlo de estabilidade, resposta do acelerador e rapidez da caixa de velocidades. No BMW, há um botão junto da caixa de velocidades que se limita a oferecer quatro posições pré-determinadas; e no Lexus, um comando rotativo simplifica a escolha para três modos: Eco/Normal/Sport. Na vertente da segurança, todos estão equipados com avisadores de transposição de faixa de rodagem, avisadores de ângulo morto, leitura de sinais de trânsito e os habituais airbags e ESP.  Tal como já acontecia no primeiro A5 Sportback, esta segunda geração tem uma posição de condução muito boa, com o volante bem posicionado e bancos muito confortáveis e que suportam bem o corpo. No BMW, a posição de condução também é de primeira ordem e no Lexus, o joystick que controla o  infotainment poderia ser mais intuitivo.

Caixas automáticas

Os três modelos estão equipados com caixa automática, mas de tipos distintos. A do 420d é convencional, uma ZF com conversor de binário e oito relações; a do A5 Sportback 2.0 TDI é do tipo dupla embraiagem e a do IS300h é de trem epicicloidal. Todas têm patilhas no volante para uso manual, mas só as do BMW e do Audi mudam realmente de relação de caixa, a do Lexus limita-se a mudar entre posições pré-determinadas do seu funcionamento contínuo. Ou seja, no IS300h, de cada vez que se acelera forte, o motor dispara para um regime alto e fica por lá até que se alivie o acelerador. Em modo manual, este efeito é menos notório, ainda assim, nesta última evolução do IS300h, a combinação motor/caixa foi muito melhorada e o som proveniente das acelerações é menos intrusivo e desconfortável. Em cidade, a caixa do BMW é a mais suave, mas, a andar depressa, a caixa da Audi é a mais entusiasmante, aceitando quase todas as reduções, em modo manual.

Quanto a motores Diesel, nos dois casos, BMW e Audi, têm imenso binário desde regimes muito baixos (400 Nm), disponibilizando força quase instantânea ao mínimo toque no acelerador. O 420d  é o mais ruidoso e o que tem o start/stop mais brusco, penalizando um pouco a condução em cidade. Brusquidão é coisa que o Audi não conhece, em cidade, terreno em que apenas a visibilidade para trás se pode tornar numa dificuldade. Dito isto, suavidade é precisamente a maior qualidade do Audi A5 SB 2.0 TDI S Tronic. A caixa de dupla embraiagem de sete velocidades permite uma aceleração sem interrupção de binário quase ao nível de um carro elétrico, o que torna o A5 muito confortável de conduzir. Aliás, esta caixa trabalha tão bem o motor na sua faixa de binário mais favorável (entre as 1500 e as 2500 rpm), que permite variações de regime naturais em função da variação de velocidade. Já o desempenho do motor 2.5 a gasolina do Lexus é menos entusiasmante. Com a ajuda do motor elétrico de 143 cv até faz prestações condignas. Mas sempre de uma forma menos estimulante. O Lexus é, todavia, o melhor na cidade, numa condução calma, a usufruir das frequentes entradas em ação do modo 100% elétrico. Não acelerando demais e com a bateria cheia, o Lexus arranca em modo elétrico, que dura por períodos de dois quilómetros seguidos, no máximo. Ao fim de alguns dias, estamos mais do que habituados e até entusiasmados com as médias de consumo que conseguimos, esquecendo praticamente o lado “sport” - algo esbatido - deste IS300h.

Dinâmica desportiva

O aspeto desportivo da versão F Sport do Lexus faz pensar em capacidades dinâmicas acima da média, por isso acaba por dececionar quando se lhe apresenta uma sequência de curvas exigentes. A tendência predominante é a subviragem. Os pneus mais largos atrás têm culpa na atitude, sobretudo porque estão lá apenas por razões estéticas, não há transferência de binário que chegue para descolar a traseira. A tração traseira do BMW oferece mais agilidade com o desligar do controlo de estabilidade, mas com tanto pneu e atrito para a potência disponível, o entusiasmo fica longe de outros tempos. Além disso, a direção do 420d, não sendo ativa, deixa de ter muita da precisão que experimentamos com esse opcional. A falta é muito evidente. A suspensão não é desportiva e deixa o chassis demasiado suave. Quem ganha é o conforto. Neste particular, o Lexus não fica longe, mas o A5 Sportback tem a direção mais comunicativa. Contudo, o Audi tem os pneus mais largos e a vectorização de binário no eixo de tração, o que lhe dá uma excelente eficácia. Para andar depressa, este Audi, assim equipado, não dá grande hipótese aos outros dois.

Familiares q.b.

Em termos de habitáculo, a Lexus já tem uma reputação sólida em matéria de qualidade. Apenas alguns plásticos da consola aparentam menos requinte. No BMW, a precisão é clínica e no Audi junta-se à qualidade a imaginação, sofisticação e aparência marcante desta nova geração. Em relação ao espaço, nenhum se destaca pela generosidade, mas, ainda assim funcionam como bons exemplos de familiares, até porque a capacidade das bagageiras atingem valores significativos, como os 480 litros de Audi e BMW e os 450 litros do Lexus. O acesso acaba por ser melhor nos modelos alemães, até porque têm uma quinta porta, mais ampla. Na questão garantia, A5 SB e IS300h fazem valer-se de mais do que os dois anos obrigatórios, três no caso do modelo japonês (além da reputadíssima fiabilidade à prova de bala) e quatro no modelo alemão, ainda que limitados pelos 80 mil km. Na questão manutenção, a BMW mantém a vantagem dos 5 anos ou 100 mil km do BMW Service Inclusive. O híbrido japonês não bate os Diesel alemães, porque lhe falta a “pujança” dos 400 Nm de binário e uma transmissão mais dinâmica, ágil e interativa. O Audi vence pelo conteúdo tecnológico e pela dinâmica mais apurada.

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