Para a história de hoje, juntamos três SUV Diesel compactos, modernos e apelativos, dos que convidam a um Portugal de lés-a-lés a cada quilómetro feito nas voltas da cidade. O restyling do bem-sucedido Mazda CX-3 foi o ponto de partida para o confronto com dois dos modelos mais “giros” do mercado (Nissan Juke 1.5 dCi e Jeep Renegade 1.6 MJD) entre os 25 e os 30 mil euros, um leque de preço muito elástico, como deve ser a disponibilidade de um citadino, e também porque as campanhas e os descontos estão na moda.

Calor, dias grandes, fins de-semana prolongados, feriados com pontes. Tempo para passear, em família ou a dois, a caminho da natureza. Quilómetros, gasóleo, consumos mais contidos, diversão e encontros. É bom poder passar os dias de calor a visitar aquilo que mais nos agrada, e todos agradecem quando as viagens ficam em conta. É da maneira que mais sobra para gastar no que realmente interessa. O ideal é ter um automóvel com algum espaço no habitáculo e na bagageira, e um motor Diesel de gasto contido, como são os três que equipam os contendores desta semana. Todas estas exigências estão perfeitamente ao alcance destes três SUV, de aspeto mais radical do que os utilitários “sem sal”, imagem jovem e apelativa e que estão repletos de equipamento e muita tecnologia. O preço fica entre os 25 e 30 mil euros quando configurados como os vemos nestas imagens, com alguns opcionais acrescentados e alguns descontos e campanhas subtraídos.

O crescimento do segmento dos SUV continua a ser um fenómeno cada vez menos inexplicável. Já todos conhecemos os motivos do seu sucesso, o porquê de granjearem tantos adeptos e as vantagens que têm face aos automóveis convencionais. Para receber o renovado Mazda CX-3, escolhemos dois modelos que se destacam por também terem personalidade própria, por serem “giros” no aspeto e na imagem e por conseguirem arrebatar corações: Nissan Juke 1.5 dCi e o Jeep Renegade 1.6 MJD juntam-se ao best-seller e renovado CX-3; para mostrar-lhe qual arrebata “o melhor volante”. O Mazda mudou, essencialmente, na estética, retoques estilísticos que quase não se notam (há mesmo um novo volante, por exemplo), mas que são suficientes para prolongar a carreira do SUV nipónico no mercado. A plataforma é a mesma do 2 e as semelhanças com o CX-5, mesmo com a nova geração, são de assinalar. O motor também não mudou, é o 1.5 Skyactiv-D com 105 cv. No CX-3 tudo (ou quase) se uniu para criar um produto concorrencial. O preço é competitivo, o motor é frugal, rápido q.b. e muito refinado, e a relação conforto/comportamento muito equilibrada. A facilidade de condução, a agilidade do conjunto e o tato mecânico dos comandos secundários sobressaem, com destaque para a caixa de seis velocidades, a melhor unidade manual da atualidade nesta faixa de preço. E a Mazda parece ter ouvido os pedidos do Autohoje, já que o interior tem melhores materiais e um nível de montagem bastante mais cuidado do que acontecia com este modelo aquando do seu lançamento.

O Jeep prima pela diferença. Tem um rigoroso controlo de movimentos de carroçaria, mas fá-lo à custa do conforto de rolamento e sem qualquer resquício de agilidade no eixo traseiro, até porque o “previdente” ESP não pode ser desligado (só o controlo de tração é que pode ser colocado em modo “off”). O Renegade nunca é muito preciso, sendo claramente mais brando, mas o que se perde em “rigor” ganha-se no conforto, fazendo-se uma troca perfeitamente justa e até mais equilibrada num automóvel que se quer divertido, mas prático e de fácil convivência diária. Até porque apesar de ter jantes de 18”, é o que tem os pneus de perfil mais elevado. É o mais espaçoso do trio no habitáculo e na bagageira, o que facilmente se percebe pelo formato mais quadrado da carroçaria.

Quanto ao Juke é o projeto mais antigo aqui presente, mas nem por isso deixa de ser um automóvel vistoso e com argumentos. Para além da lista de equipamento de segurança e de conforto ultracompleta, e também dos vários descontos associados, o Juke continua a ser um automóvel com uma dinâmica muito assertiva, com comandos precisos, ainda que muito deste comportamento seja conseguido à conta dos pneus 225/45 em jantes de 18”, colocando em segundo plano o conforto. O espaço a bordo é reduzido e a posição de condução a pior dos três, porque a coluna de direção não regula em alcance, apenas em altura.

No capítulo dos motores, é curioso verificar a disponibilidade da unidade do Mazda CX-3. É o menos potente e na prática é o que parece andar menos, mas nas nossas medições tal não se verifica, já que acaba por ser o mais lesto nas acelerações e até nas recuperações. Neste particular, o Juke é o mais lento, por culpa de uma caixa de velocidades mais longa, todavia, e até porque é o único com modos de condução disponíveis, basta colocá-lo em modo Sport para o condutor ficar com a sensação de que é o Nissan o que anda mais. O Mazda tem pouca disponibilidade a baixos regimes, mesmo tendo mais binário logo às 1600 rpm (a segunda relação da caixa é muito longa), e não são raras a vezes que temos de recorrer à primeira em zonas de subida urbana ou até em cruzamentos, para arrancar sem medo que o motor se “cale”.

Já o Jeep tem uma faixa de utilização mais ampla, mas nota-se o peso do conjunto, mais 100 kg que o Mazda e mais 85 kg que o Nissan. O Juke é o mais célere no arranque e a câmara de 360º, de série, dá preciosa ajuda nas manobras urbanas, o que faz deste o mais fácil de conduzir em cidade.

Economia

Na questão preço, é o Nissan que não dá quaisquer hipóteses aos adversários. A versão em ensaio é um Tekna Premium que é a mais cara de todas as versões do Juke, ainda assim é o mais barata dos três em confronto. Tem também a vantagem de propor um desconto direto de 2000 euros, que pode ser superior no caso de optar por financiamento da marca ou por entregar um carro para retoma. Segue-se o Mazda, que na versão Excellence com pintura metalizada e navegação custa 28 318 euros, valor que inclui um pacote de equipamento muito completo, onde não falta o Head-up display mais uma panóplia de elementos de segurança. É ainda o mais económico, com médias de consumos que não chegam aos 5 litros aos 100 km.

O Jeep é o mais caro. Paga mais imposto por ter o maior motor e por ser o que emite mais CO2, mas também é aquele no qual é preciso adicionar mais opcionais para ficar ao nível dos outros dois. Em termos de campanhas, a marca americana está a oferecer o sistema de navegação no valor de 500 euros.

Nas garantias, Mazda e Nissan beneficiam dos três anos das marcas nipónicas, enquanto o Jeep oferece apenas dois, e no que concerne a prazos de revisão, o Nissan leva vantagem ao “obrigar” a uma ida à oficina a cada 20 mil km, enquanto Mazda e Jeep se ficam pelos 20 mil km. 

No final, a vitória sorri ao Mazda: é o modelo que reúne os argumentos mais homogéneos perdendo para o Nissan no preço e para o Jeep no capítulo do espaço. Em todos os outros aspetos é o grande vencedor, logo sai deste trabalho com a medalha de ouro.

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